#Propinas e Custo Brasil: a respeito da coluna da Miriam Leitão

“The Economy, Stupid”, a frase de James Carville ficou famosa por nortear a campanha de Clinton à Presidência dos Estados Unidos, em 1992. Geroge Bush, tinha 90% da preferência do eleitorado e, ao jogar o país numa enorme recessão, viu 64% dos eleitores trocarem de lado. Logo, era a economia, estúpido, que deveria regular os rumos da campanha de Clinton contra Bush. Os marqueteiros que assessoram os políticos brasileiros, não tem essa “percepção”, nem precisam dela. Marqueteiro brasileiro é ilusionista, pródigo em rodar a máquina de sonhos, com especialização em “laranja”, por isso não são chamados para fazer campanha presidencial de país sério. Marqueteiro brasileiro só presta para receber “aquele a mais” e devolver “por fora”. Mas, o que surpreende mesmo no Brasil é a insensibilização do discernimento. As situações brasileiras são explicadas, invariavelmente, à luz das teorias importadas dos países desenvolvidos, onde a colonização não se fez com uma elite tão predadora, egoísta e, principalmente, corrupta, como a que se estabeleceu por aqui.

Um bom exemplo do desconhecimento da realidade brasileira, pode ser comprovado mediante a leitura da coluna da Miriam Leitão, publicada no O Globo do dia 02 de julho, intitulada de “Economia livre”, de onde foi extraído o seguinte parágrafo: “a mais óbvia vantagem é a de não ter que entrar na corrida sobre quem paga mais propina pelo contrato, ou quem faz mais contribuição pelo caixa 2 com o objetivo de conseguir no futuro algum benefício dos cofres públicos. É a redução do custo Brasil. Pensem só no volume espantoso de dinheiro que saiu do caixa da Odebrecht e da JBS.”

Miriam, me perdoe, mas “esse volume espantoso de dinheiro que saiu do caixa da Odebrecht e da JBS”, entrou no caixa dessas empresas, por conta do sobre-preço em TODAS as obras, realizadas em nome do desenvolvimento e das melhorias da infraestrutura do País. Foi pela oportunidade de realizar obras de infraestrutura faraônicas que se trouxe a Copa do Mundo e as Olímpiadas, quebraram o Rio de Janeiro mas, esta é a parte visível do retrato do país. Em todos os contratos com empresas públicas ou via empréstimos contraídos junto ao BNDES, existia um sobre-preço que seria devolvido via Caixa 2. Traduzindo, “esse volume espantoso de dinheiro” saiu do volume indecente de impostos cobrados do povo brasileiro, que paga direta e indiretamente por toda essa bandalheira e, que está sendo chamado a pagar de novo, toda vez que o governo ameaça subir ainda mais esses impostos para cobrir os buracos abertos por uma corrupção descarada e sem vergonha. Em nome do que essa situação é “custo Brasil”? Quem conhece o que é esse tal de “Custo Brasil”, são as pequenas e médias empresas que não ganham contratos, que não recebem isenções de impostos e, não conseguem se habilitar nos critérios do BNDES e levantar um único real com juros dignos. “Custo Brasil”, é o custo de montar uma empresa e ficar aguardando as diversas licenças e documentos em todos os níveis de governo, que chegam a levar, invariavelmente, 8 a 12 meses, sem poder faturar, pagando salários e, deixando de faturar, enquanto “as empresas eleitas campeãs” recebem as licenças e os empréstimos em “alguns dias”. Isso é custo Brasil!!

O país padece de oportunidades, porque o capitalismo aqui é uma arma de enriquecimento de alguns, com os recursos tomados do povo e dos empresários que não cedem aos políticos. “Esse volume espantoso de dinheiro” saiu da saúde, da educação e da segurança, e foi parar no caixa da JBS e no da Odebrecht.

Portanto, “é a corrupção, estúpido” que vem atrasando o país desde que ele foi descoberto. Os impostos pagos por aqui, primeiro saciavam os nobres portugueses, quem perdeu a cabeça por conta disso foi Tiradentes. Isso numa época em que sonegador pagava as propinas com seus próprios recursos. A democracia de 1988 só aperfeiçoou a corrupção no país, a partir dela, os recursos saem do bolso dos pobres vai para o governo, que os entrega para “alguns amigos”, que auferem margens de 30% em investimentos que não fazem qualquer sentido. Projetos que não tem rentabilidade e, que não passam em nenhuma avaliação séria de viabilidade, mas que servem de cortina de fumaça para que esses empresários possam devolver outros 30% sob forma de doação de campanha. Ressaltando que, os outros 40%, eram “jogados no lixo”, servindo apenas para dar cobertura e, uma aparência de legalidade, a todas essas operações, num total descomprometimento e desrespeito para com o povo.

Logo, “é o dinheiro do povo, estupido”, que sustenta a corrupção, as mordomias em todos os níveis de poder, aqui inclui-se o judiciário, e que saiu dos caixas da JBS e da Odebrecht para enriquecer o patrimônio dos políticos, fazer a farra do churrasco e do acarajé, enquanto a maioria do país passa fome. São esses recursos, que circulam abundantemente na economia e, que fazem a festa das empresas financeiras e dos bancos, que conseguem em plena crise aumentar seus lucros em mais de 60%, enquanto o povo fica cada vez mais miserável.

A criatividade do brasileiro é ímpar: a maior lavanderia de dinheiro do mundo é o TRE!

John Harrison McCartney (#Francisco Gularte é Engenheiro Químico, com MBA em Finanças, Administração, Marketing e estudante de Direito na Universidade Estácio de Sá)     

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  1. Rodrigo Porto 3 de julho de 2017
  2. Alemã Botelho 9 de julho de 2017

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